Reeleito com mais de 53% dos votos, o prefeito enfrenta pressões no porto, na habitação e na segurança enquanto olha para o horizonte eleitoral de 2026.
Rogério Santos iniciou 2026 com o respaldo de uma reeleição confortável, conquistada com 53,27% dos votos válidos no segundo turno de outubro de 2024 contra a deputada federal Rosana Valle, do PL, conforme os dados oficiais do Poder360. Mas a margem nas urnas não elimina os desafios que se acumulam na gestão. O segundo mandato começou com um orçamento de R$ 5,8 bilhões, crescimento de 6,2% sobre o ano anterior e superior à inflação projetada, segundo dados da Câmara Municipal de Santos. Saúde e educação recebem cada uma mais de R$ 1 bilhão. A segurança pública tem R$ 162,3 milhões, alta de 11%. Os números são robustos, mas o que os santistas acompanham com atenção é a capacidade da gestão de transformar orçamento em obras, serviços e política pública. A dúvida legítima que o morador de Santos faz é uma só: o que muda, de fato, na minha vida neste segundo mandato?
O que Rogério Santos prometeu e o que já está em andamento
Em entrevista ao programa Jornal Enfoque, logo após a reeleição em outubro de 2024, o prefeito destacou que vários projetos já estavam em andamento e que o segundo mandato seria de consolidação e novas entregas. Entre os compromissos citados estavam o Hospital Pediátrico da Zona Noroeste, a entrega do Parque Palafitas no Dique da Vila Gilda, com 60 novas moradias em parceria entre a Prefeitura, o governo estadual e o governo federal, e a Casa da Mulher, segundo dados do portal Boqnews. A Prefeitura também destacou, em prestação de contas ao Legislativo, avanços em inovação com o programa de incubação de games no Parque Tecnológico de Santos, o plantio de 10 mil árvores previsto no programa Santos Sustentável até 2028 e a realização de 10 mil podas em doze meses, conforme divulgado no portal da Prefeitura de Santos.
Em junho de 2026, a gestão abriu a votação do Orçamento Participativo de 2026, com 51 projetos elegíveis, número superior à edição anterior, que tinha 43 opções. O mecanismo permite que moradores e entidades de bairro escolham prioridades para investimento público com recursos definidos. O projeto mais votado na edição anterior foi voltado a crianças com TDAH e autismo no bairro Areia Branca. Para o prefeito, o OPA é expressão da gestão participativa: “Trabalhamos com determinação e amplo diálogo para transformar projetos e ideias em políticas públicas assertivas e longevas”, declarou, conforme registrado no portal da Prefeitura de Santos.
Os desafios estruturais que definem o legado do segundo mandato
Mais do que os projetos em andamento, o segundo mandato de Rogério Santos será avaliado pela sua capacidade de avançar em frentes estruturais que dependem de articulação com o governo estadual e federal. O mais emblemático é o Túnel Santos-Guarujá, projeto com investimentos estimados em cerca de R$ 6 bilhões que conectaria as duas cidades e aliviaria a pressão sobre o sistema de balsas e o trânsito da região. O ministro Tomé Franca afirmou, em evento no Guarujá em maio de 2026, que os recursos já foram estruturados pelo governo federal e pelo governo de São Paulo com financiamento do Banco do Brasil, segundo a CNN Brasil. Mas estruturar recursos não significa iniciar obras, e os santistas sabem disso.
O Tecon Santos 10, o maior leilão portuário da história do país com R$ 6,4 bilhões em investimentos previstos, também entra nesse cálculo político. O projeto tem potencial de gerar milhares de empregos diretos e indiretos na cidade, mas ainda enfrenta impasses regulatórios entre o Ministério de Portos e Aeroportos, a Casa Civil, o TCU e a Antaq, conforme amplamente noticiado pela imprensa nacional. O prefeito tem interesse direto em que essas obras avancem durante seu mandato, tanto pelos empregos gerados quanto pelo impacto nos impostos arrecadados pelo município. A política em Santos, em 2026, passa inevitavelmente por esses grandes projetos de infraestrutura.
Santos no xadrez eleitoral de 2026 e o que vem por aí
Com as eleições gerais de outubro de 2026 se aproximando, Santos volta ao centro do debate político estadual e nacional. A Baixada Santista reúne quase 1,5 milhão de eleitores, segundo dados do IBGE e do TSE, e configura um colégio eleitoral relevante para as disputas ao governo do estado, ao Senado e à Câmara Federal. A corrida pelo governo de São Paulo já tem nomes praticamente confirmados: o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o ex-ministro Fernando Haddad (PT), a deputada Erika Hilton (PSOL) e Kim Kataguiri (Missão), segundo análise publicada pelo portal ND Mais em maio de 2026. Tarcísio e Haddad representam a polarização nacional que deve se reproduzir em Santos, cidade que no segundo turno de 2024 elegeu um prefeito do Republicanos, mesmo partido do governador.
O jogo eleitoral de 2026 colocará Rogério Santos em posição delicada: precisará ao mesmo tempo entregar resultados concretos para a população, articular apoios para candidatos aliados e gerenciar as expectativas geradas pela reeleição. O orçamento robusto e os projetos em andamento dão base para isso, mas a história da política em Santos mostra que promessas de infraestrutura de grande porte raramente cumprem os prazos anunciados. O morador que acompanha a gestão vai avaliar, nos próximos meses, se o segundo mandato será de consolidação real ou de mais promessas adiadas.
Fontes: Poder360 – Reeleição | Câmara de Santos – Orçamento | Boqnews – Segundo Mandato | Prefeitura de Santos – OPA 2026 | CNN Brasil – Túnel
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
