Além do Direito: Quatro competências que a carreira de juiz exige e o concurso não mede

Finn Norbury
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Valdemir Ferreira Santos

O concurso da magistratura avalia o conhecimento jurídico com rigor, mas a trajetória de um juiz de direito, como o Doutor Valdemir Ferreira Santos, se insere nesse percurso, revelando que dominar leis e jurisprudência é apenas uma parte do trabalho. Uma vara funciona como uma pequena organização, com equipe, metas, público e pressões diárias.

Por isso, ao longo da carreira, o magistrado precisa desenvolver competências que não aparecem diretamente nas provas. Elas não substituem a técnica jurídica, mas determinam, em grande medida, se essa técnica chega ao cidadão em tempo e de forma compreensível. Quatro delas merecem atenção especial.

Primeira: gerir pessoas e processos

A primeira competência é a gestão. Cada unidade judicial conta com servidores, estagiários e, muitas vezes, assessores. O juiz organiza fluxos de trabalho, distribui tarefas, define prioridades e acompanha resultados. Exercido pelo Doutor Valdemir Ferreira Santos, o cargo de juiz de direito reúne, portanto, a função de julgar e a de administrar.

Esse aspecto ganhou peso com as metas nacionais do Poder Judiciário, definidas anualmente pelo Conselho Nacional de Justiça. Elas estabelecem objetivos como julgar mais processos do que os distribuídos no ano ou reduzir o acervo de casos antigos. Uma vara bem gerida consegue cumprir essas metas sem sacrificar a qualidade das decisões.

Imagine uma unidade com milhares de processos e equipe reduzida. Sem uma triagem eficiente, casos urgentes podem se perder entre demandas rotineiras. A capacidade de organizar o trabalho, nesse cenário, é tão decisiva quanto o conhecimento técnico.

Segunda: comunicar com clareza

A segunda competência é a comunicação. Decisões judiciais são lidas por advogados, mas afetam diretamente pessoas que muitas vezes não têm formação jurídica. Uma sentença incompreensível para quem a recebe enfraquece a própria função da Justiça.

Valdemir Ferreira Santos
Valdemir Ferreira Santos

O CNJ lançou o Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples, incentivando tribunais e magistrados a evitar jargões desnecessários e a explicar o conteúdo das decisões de forma acessível. Isso não significa abrir mão da precisão técnica, mas tornar o texto legível para quem precisa entendê-lo. Valdemir Ferreira Santos ressalta que, na magistratura estadual, a iniciativa dialoga com a proximidade natural entre o juiz de primeiro grau e a população.

Terceira e quarta: escuta atenta e equilíbrio emocional

A terceira competência é a escuta. Em audiências de família, de violência doméstica ou de infância, as partes trazem histórias marcadas por sofrimento. Ouvir com atenção, sem interromper desnecessariamente e sem julgamentos precipitados, é condição para decidir bem e para que as pessoas se sintam respeitadas.

A quarta é o equilíbrio emocional. O juiz lida diariamente com conflitos intensos, decisões difíceis e, em alguns casos, pressões externas. Manter a serenidade é indispensável para preservar a imparcialidade. Por isso, temas como saúde mental e prevenção do esgotamento passaram a integrar as preocupações institucionais do Judiciário e de suas escolas de formação.

Para quem acompanha carreiras na Justiça estadual, entre elas a do Doutor Valdemir Ferreira Santos, essas duas competências ajudam a explicar por que o perfil exigido do magistrado vai muito além do domínio de códigos e súmulas.

Formação contínua como resposta

As escolas judiciais vêm incorporando essas competências aos cursos de formação inicial e de aperfeiçoamento. Gestão de unidades, comunicação, técnicas de conciliação e cuidado com a saúde do magistrado aparecem cada vez mais nos programas. Como a Constituição considera a frequência e o aproveitamento em cursos oficiais de aperfeiçoamento na promoção por merecimento, essa formação também tem peso concreto na progressão da carreira.

O movimento indica uma compreensão mais ampla do ofício de julgar. Conforme avalia Valdemir Ferreira Santos, o bom juiz continua sendo, antes de tudo, aquele que conhece o Direito e decide com fundamento. Mas a qualidade da Justiça depende também de quem sabe organizar o trabalho, explicar suas decisões, ouvir as pessoas e preservar o equilíbrio necessário para julgar com independência.

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