A Prefeitura de Santos iniciou a execução das paredes-diafragma que vão formar a estrutura de contenção do reservatório da Estação Elevatória com Comportas 6 (EEC6), no bairro do Saboó. A obra faz parte do Programa de Macrodrenagem Santos Mais e foi divulgada oficialmente em 17 de setembro de 2026.
O equipamento será construído na Avenida Engenheiro Augusto Barata, 1.433, em uma área de aproximadamente 1,3 mil metros quadrados. A intervenção pretende reduzir os alagamentos no Saboó, especialmente nos períodos em que chuvas intensas coincidem com a maré alta, condição que dificulta o escoamento da água em áreas baixas de Santos e da Zona Noroeste.
Segundo informações publicadas pela Prefeitura de Santos, a etapa atual inclui a preparação das muretas-guia e a instalação de estruturas de concreto armado moldadas no próprio terreno. Essas estruturas formarão as paredes-diafragma, que terão 40 metros de profundidade.
Como funcionam as paredes-diafragma
As paredes-diafragma são estruturas de contenção instaladas no solo antes da escavação de grandes áreas. No caso da EEC6, elas terão a função de ajudar a sustentar a pressão exercida pela terra e pela água durante a construção do reservatório e dos demais componentes da estação elevatória.
A técnica permite preparar uma área subterrânea mais profunda com maior controle sobre a estabilidade do terreno. A execução ocorre com concreto armado moldado no local, criando uma barreira estrutural ao redor da área que será escavada. Essa fase é fundamental para que o reservatório possa ser implantado com segurança.
Estrutura terá oito conjuntos de motobombas
Quando estiver concluída, a EEC6 contará com oito conjuntos de motobombas verticais movidas a diesel. De acordo com a administração municipal, o conjunto terá vazão de 20 metros cúbicos por segundo, capacidade que permitiria esvaziar um volume equivalente ao de uma piscina olímpica em aproximadamente dois minutos.
O sistema será integrado à estação elevatória, à comporta e ao canal previstos para a área. A função do conjunto será auxiliar na retirada da água acumulada durante episódios de chuva intensa, principalmente quando o nível da maré limitar o escoamento natural da drenagem urbana.
A futura estação deverá atender uma área de cerca de 2 quilômetros quadrados, com benefício direto para o bairro do Saboó. O atendimento não incluirá as ruas próximas e paralelas à Avenida Nossa Senhora de Fátima, conforme a delimitação apresentada pela Prefeitura.
Segunda estação elevatória da Zona Noroeste
A EEC6 será a segunda estação elevatória da Zona Noroeste de Santos. A primeira é a EEC7 Engenheiro Marcos Diniz, ativada em maio de 2023. Essa unidade atende principalmente os bairros Castelo e Areia Branca, além do Jardim Guassu, em São Vicente.
Com a nova estrutura, o município amplia a capacidade de resposta em uma região sujeita a pontos de alagamento durante eventos de chuva forte. A divisão das áreas de atendimento permite direcionar cada estação para setores específicos da drenagem, embora a EEC6 tenha como foco principal o Saboó.
O Programa de Macrodrenagem Santos Mais também prevê outras estações elevatórias com comportas em áreas como Bom Retiro e Santa Maria, Rádio Clube e Chico de Paula. A proposta é ampliar gradualmente a infraestrutura de drenagem e reduzir os impactos de eventos climáticos sobre os bairros da cidade.
Investimento supera R$ 153 milhões
O investimento informado para a construção da EEC6 é de R$ 153,3 milhões. O valor inclui a estação elevatória, a comporta e o canal que integrarão o sistema de drenagem do Saboó.
Desse total, R$ 149,2 milhões correspondem a financiamento da Corporação Andina de Fomento (CAF). A diferença será custeada como contrapartida da Prefeitura de Santos. A combinação entre recursos municipais e financiamento internacional viabiliza uma intervenção voltada à prevenção de alagamentos e à adaptação da infraestrutura urbana.
A obra ainda está na fase inicial de preparação das estruturas de contenção. A expectativa é que, após a conclusão do conjunto, o reservatório e a estação elevatória contribuam para retirar com mais rapidez a água acumulada em episódios de chuva intensa e maré alta, reduzindo os transtornos para os moradores do Saboó.