Os casos de dengue em Santos recuaram mais de 80% em 2026, mas a Secretaria Municipal de Saúde mantém as ações de vigilância e prevenção contra o mosquito Aedes aegypti. Até o fim de setembro, o município havia contabilizado 593 casos, número inferior aos mais de 5.300 registros de 2024 e aos aproximadamente 4.800 de 2025.
Os dados foram apresentados pela Secretaria de Saúde durante audiência pública realizada em 28 de setembro na Câmara Municipal de Santos. A informação foi divulgada em 1º de outubro pela Câmara Municipal de Santos, que também destacou a redução da média mensal de ocorrências.
Nos anos anteriores, Santos registrava cerca de 400 casos por mês, segundo os dados apresentados na audiência. Em 2026, a média caiu para aproximadamente 66 ocorrências mensais. A comparação indica uma mudança expressiva no cenário epidemiológico, embora não signifique que o risco tenha deixado de existir para os moradores.
Queda dos registros não encerra o alerta
A redução dos casos não deve ser interpretada como erradicação da dengue na cidade. Períodos de chuva e calor podem favorecer a formação de criadouros e a proliferação do mosquito transmissor, especialmente quando recipientes ficam expostos e acumulam água em imóveis residenciais, comerciais ou áreas externas.
Por isso, a orientação das autoridades continua sendo a eliminação de qualquer recipiente que possa armazenar água. A medida inclui verificar vasos de plantas, baldes, garrafas, caixas, calhas e outros objetos mantidos em quintais, sacadas, garagens e áreas comuns. A prevenção depende da atuação dos serviços públicos e da colaboração cotidiana da população.
Durante a audiência, o secretário municipal de Saúde também ressaltou a importância de os adolescentes completarem o esquema de vacinação contra a doença. A recomendação integra o conjunto de medidas de proteção adotadas pelo município e reforça que a prevenção deve combinar vacinação, controle de criadouros e atenção aos sinais de possíveis infecções.
Mutirões vistoriaram imóveis em diferentes bairros
A queda ocorre após uma sequência de mutirões realizados em bairros de Santos. Nessas ações, agentes municipais vistoriaram imóveis, identificaram focos com larvas e retiraram materiais que poderiam acumular água. O trabalho busca localizar criadouros antes que o mosquito complete seu ciclo de desenvolvimento e amplie a transmissão.
Em uma ação no Boqueirão, a Prefeitura de Santos informou a visita de agentes a mais de 1,4 mil imóveis. Na divulgação do mutirão, o município registrava 571 casos de dengue e nove de chikungunya em 2026. Como esse balanço corresponde ao momento específico da ação, ele antecede o total de 593 casos apresentado posteriormente na audiência pública.
A Prefeitura também divulgou mutirões na Zona Noroeste, com visitas a mais de mil imóveis. A estratégia amplia a busca ativa por recipientes com água parada e permite orientar moradores e responsáveis por estabelecimentos sobre providências simples para reduzir a presença do Aedes aegypti.
Drone deve apoiar fiscalização de locais denunciados
Entre as medidas citadas pela Secretaria Municipal de Saúde está a aquisição de um drone para auxiliar na fiscalização de locais denunciados pela população. O equipamento deverá apoiar a identificação de áreas que possam oferecer dificuldade de acesso ou apresentar condições favoráveis à formação de criadouros.
A ferramenta, no entanto, não substitui as vistorias presenciais nem os cuidados mantidos pelos proprietários e ocupantes dos imóveis. A eliminação de recipientes com água parada continua sendo uma das principais formas de interromper o ciclo do mosquito, sobretudo em uma cidade sujeita a períodos de calor e chuvas.
Para os moradores de Santos, o cenário de 2026 representa uma melhora importante em relação aos dois anos anteriores, mas exige atenção permanente. Ao identificar possíveis criadouros, a população deve remover a água acumulada, tampar recipientes e comunicar situações que dependam de avaliação do poder público. A queda dos registros é um resultado positivo das ações realizadas, mas a prevenção precisa continuar para evitar uma nova alta.