Decorações neutras ganham espaço em festas infantis sem gênero

Diego Velázquez
5 Min de leitura
Daugliesi Giacomasi Souza

A divisão tradicional entre azul e rosa nas festas infantis vem perdendo força para paletas neutras e temas menos ligados a personagens licenciados. Nesse cenário, Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, acompanha esse movimento de crescer, especialmente entre famílias que buscam liberdade de escolha na hora de decorar aniversários infantis, chás-revelação e chás de bebê. Levantamentos do setor de festas indicam que temas como safári, floresta e universo, sem associação direta a gênero, já figuram entre os mais alugados do país, muitas vezes combinados a paletas terrosas, verde-oliva e tons naturais. 

A seguir, você vai entender por que as decorações neutras ganharam espaço nas festas infantis e quais elementos ajudam a compor esse tipo de ambiente.

O crescimento das decorações neutras nas festas infantis

Levantamentos recentes do setor de locação de decoração apontam o tema safári entre os mais contratados do país, justamente por funcionar bem tanto para meninos quanto para meninas, sem depender de personagens associados tradicionalmente a um gênero específico. Fazendinha, floresta encantada e universo espacial seguem a mesma lógica, sendo escolhidos com frequência por famílias que ainda não revelaram o sexo do bebê ou que simplesmente preferem fugir da divisão convencional de cores.

Como assinala Daugliesi Giacomasi Souza, esse tipo de decoração também resolve uma questão prática enfrentada por muitos pais, que reutilizam elementos da festa em celebrações futuras dos irmãos, independentemente do sexo de cada criança. Um kit de decoração neutro reduz o descarte de itens temáticos usados uma única vez, o que aproxima a escolha estética de uma preocupação também financeira e ambiental.

Paletas e materiais que substituem o azul e o rosa tradicionais

Bege, verde-oliva, terracota, off-white e dourado fosco formam a nova paleta de referência para quem busca fugir do azul e do rosa tradicionais sem abrir mão da sofisticação visual. Materiais naturais, como madeira crua, palha e tecidos em tons terrosos, reforçam essa estética e conversam bem com propostas de festa mais conscientes em relação ao consumo e ao descarte de itens descartáveis.

Daugliesi Giacomasi Souza
Daugliesi Giacomasi Souza

Conforme sustenta Daugliesi Giacomasi Souza, a escolha por tons neutros não significa ambiente sem graça ou pouco lúdico para as crianças. Pontos de cor mais vibrantes, aplicados em detalhes específicos como toalhas de mesa, balões pontuais ou elementos do bolo, mantêm a festa divertida aos olhos do público infantil, ao mesmo tempo em que preservam a elegância da paleta de base escolhida para o restante do ambiente.

Da divisão tradicional de cores à liberdade de temas

Durante décadas, o mercado de festas infantis reforçou associações rígidas entre cor e gênero, seguindo uma lógica amplamente influenciada pela indústria de brinquedos e pela publicidade voltada a cada público específico. Esse padrão colocava príncipes e carrinhos de um lado, princesas e bonecas de outro, deixando pouco espaço para famílias que desejavam fugir dessa divisão sem parecer estar fazendo uma escolha política ou incomum.

Na ótica de Daugliesi Giacomasi Souza, temas abstratos como aventura, natureza e arte vêm ocupando justamente essa lacuna, permitindo maior liberdade criativa sem transformar a decisão em um posicionamento explícito sobre o assunto. A festa deixa de comunicar uma expectativa sobre a identidade da criança e passa a valorizar interesses, texturas e experiências sensoriais como critério principal de escolha.

Por que famílias têm optado por festas sem gênero?

Parte da explicação está numa preocupação crescente com os efeitos da estereotipagem precoce sobre o desenvolvimento infantil, tema discutido com frequência entre pediatras, educadores e psicólogos que acompanham a primeira infância. Evitar cores e temas fortemente associados a um gênero específico surge, para essas famílias, como forma de ampliar as possibilidades de brincadeira e identificação da criança desde os primeiros anos de vida.

No fim, como aponta Daugliesi Giacomasi Souza, questões práticas também pesam nessa decisão, já que decorações neutras costumam ser reaproveitadas com mais facilidade em outras ocasiões e combinam com um número maior de propostas de festa. Esse equilíbrio entre significado, estética e praticidade explica por que o movimento deixou de ser exceção e passou a orientar boa parte dos pedidos recebidos por fornecedores de decoração infantil.

Repensar paleta, tema e materiais antes de contratar qualquer decoração evita ambientes genéricos e aproxima a festa da identidade real da criança homenageada, independentemente das convenções que ainda predominam no mercado.

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