Projeto de R$ 6,4 bilhões volta ao centro das atenções e pode ampliar a capacidade do Porto de Santos em 50%
O Porto de Santos voltou a concentrar as atenções do setor econômico nesta semana por causa dos próximos passos envolvendo o Tecon Santos 10, projeto de um novo terminal de contêineres que pode mudar a escala da atividade portuária na cidade. O assunto ganhou força nos últimos dias após a reunião final do grupo de trabalho interministerial responsável por discutir as regras do futuro leilão, em meio à expectativa do mercado sobre a possibilidade de o processo avançar ainda em 2026. Para o santista, a discussão pode parecer distante, mas envolve uma questão muito concreta: como novos investimentos no porto podem afetar empregos, serviços, circulação de cargas e oportunidades de negócios na Baixada Santista. O projeto prevê investimentos de cerca de R$ 6,4 bilhões e tem potencial para ampliar significativamente a capacidade de movimentação de contêineres do complexo portuário. Por isso, entender o que está em jogo ajuda a explicar por que o Tecon Santos 10 é tratado como um dos projetos econômicos mais importantes para Santos.
Por que o Tecon Santos 10 voltou ao centro das discussões
O Tecon Santos 10 está planejado para a área do Saboó, no Porto de Santos, e representa um dos maiores projetos de expansão da infraestrutura portuária brasileira. Nos últimos dias, o grupo de trabalho formado pelo governo federal realizou sua última rodada de discussões antes de apresentar uma recomendação sobre as regras do futuro leilão. O ponto central do debate é definir como empresas que já possuem operações no Porto de Santos poderão participar da disputa, buscando equilibrar a atração de investimentos com a necessidade de preservar a concorrência no setor. A definição é importante porque o terminal será estratégico para o crescimento da movimentação de contêineres e para a competitividade do principal complexo portuário do país.
O projeto prevê uma área de aproximadamente 622 mil metros quadrados, quatro berços de atracação e concessão pelo prazo de 25 anos. Segundo dados oficiais da Agência Nacional de Transportes Aquaviários, o empreendimento possui previsão de investimentos de aproximadamente R$ 6,45 bilhões e contrato com valor global superior a R$ 43 bilhões. O Ministério de Portos e Aeroportos estima que o novo terminal poderá elevar em cerca de 50% a capacidade de movimentação de contêineres do Porto de Santos, chegando a um novo patamar de escala logística. Isso explica por que a discussão ultrapassa os limites do cais e interessa diretamente à economia santista: quanto maior a capacidade de movimentação, maior tende a ser a demanda por transporte, armazenagem, manutenção, serviços especializados e mão de obra ligada à cadeia logística.
Como um novo terminal pode afetar a economia de Santos
O impacto econômico de um empreendimento desse tamanho não fica restrito às empresas que trabalham diretamente dentro do porto. Um terminal de contêineres movimenta uma extensa cadeia de atividades, que inclui transporte rodoviário e ferroviário, armazenagem, despachantes, comércio exterior, manutenção de equipamentos, tecnologia, segurança, alimentação e serviços empresariais. Quando a movimentação aumenta, empresas que atendem essa cadeia também podem encontrar espaço para ampliar operações e contratar profissionais. Para Santos, isso é especialmente relevante porque a economia local possui uma relação histórica com o porto e com as atividades de logística e comércio exterior.
O efeito também pode alcançar municípios vizinhos da Baixada Santista, já que trabalhadores e empresas de diferentes cidades participam diariamente da cadeia portuária. A ampliação da infraestrutura pode estimular investimentos privados e aumentar a necessidade de qualificação profissional em áreas como logística, transporte, tecnologia da informação, gestão portuária e comércio exterior. O próprio governo federal já apontou, em informações anteriores sobre o empreendimento, a possibilidade de geração de milhares de empregos diretos ao longo da implantação e operação do projeto. Ao mesmo tempo, existe um desafio: crescimento portuário precisa vir acompanhado de planejamento urbano, mobilidade e infraestrutura para evitar que o aumento do fluxo de cargas pressione ainda mais vias e acessos utilizados pela população.
Outro ponto importante é que a expansão da capacidade pode fortalecer Santos como porta de entrada e saída de mercadorias brasileiras. O Porto de Santos encerrou 2025 com movimentação recorde de 186,4 milhões de toneladas, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, mostrando a dimensão que o complexo já possui na economia nacional. Com mais capacidade para contêineres, o porto poderá disputar novas rotas e atender ao crescimento do comércio exterior, beneficiando empresas que dependem de importações e exportações. Para o santista, isso significa que a atividade portuária pode continuar sendo uma das principais fontes de dinamismo econômico da região, desde que a expansão seja acompanhada por ganhos de eficiência e investimentos em infraestrutura.
O que pode mudar para Santos nos próximos anos
A principal mudança esperada com o Tecon Santos 10 é o aumento da capacidade logística do Porto de Santos, mas os efeitos econômicos podem aparecer gradualmente. Durante a fase de implantação, obras e serviços especializados tendem a movimentar fornecedores e trabalhadores. Depois, com o terminal em operação, a demanda passa a envolver transporte, manutenção, armazenagem, tecnologia, comércio exterior e diversas atividades de apoio. Esse ciclo pode criar oportunidades para empresas locais e aumentar a importância de Santos como polo de serviços relacionados à logística internacional.
Para a cidade, porém, crescimento econômico não significa apenas receber mais cargas. O aumento da movimentação precisa ser acompanhado por soluções para os acessos rodoviários e ferroviários, integração com os municípios da Baixada Santista e planejamento capaz de reduzir impactos no trânsito e na qualidade de vida. A localização estratégica de Santos é uma vantagem, mas também exige cuidado para que a expansão do porto não seja acompanhada por gargalos fora dos terminais. Por isso, o debate sobre o Tecon Santos 10 também envolve a capacidade da região de sustentar uma nova etapa de crescimento.
Outro aspecto que merece atenção é a concorrência. O desenho do leilão e as regras para participação de empresas já presentes no complexo são considerados pontos importantes para determinar como o mercado funcionará no futuro. Uma estrutura competitiva pode estimular investimentos, eficiência e melhores serviços para os usuários do porto. A decisão também terá reflexos nacionais, porque Santos é uma das principais portas do comércio exterior brasileiro e conecta produtores e consumidores do país a mercados internacionais.
O momento atual, portanto, ainda é de definição. O grupo de trabalho interministerial deve encaminhar suas recomendações ao Ministério de Portos e Aeroportos, enquanto outras etapas regulatórias ainda precisam ser cumpridas antes de um eventual leilão. A própria Antaq mantém o projeto em sua carteira de concessões, com documentos técnicos e estudos já disponibilizados. Para o santista, acompanhar esse processo é importante porque cada avanço no Tecon Santos 10 pode representar uma nova etapa de investimentos, empregos e transformação da economia local.
O que está em jogo é maior do que a construção de um novo terminal de contêineres. Santos pode receber bilhões de reais em investimentos e consolidar ainda mais sua posição como principal polo portuário do Brasil, mas os benefícios dependerão da capacidade de transformar expansão logística em desenvolvimento regional. O desafio será fazer com que o crescimento do porto dialogue com a cidade, com os trabalhadores e com as empresas da Baixada Santista. Se o projeto avançar com regras competitivas e infraestrutura adequada, o Tecon Santos 10 poderá se tornar um dos principais motores da economia santista nos próximos anos. Para quem vive na cidade, o assunto merece atenção justamente porque as decisões tomadas agora podem influenciar emprego, negócios, transporte e serviços no futuro.
Fontes consultadas