Assédio moral: como a NR1 pode transformar seu ambiente de trabalho?

Diego Velázquez
5 Min de leitura
Éverton da Costa Sagiorato

A saúde mental no ambiente de trabalho tem ganhado cada vez mais destaque nas discussões sobre segurança e bem-estar corporativo. O Dr. Éverton da Costa Sagiorato destaca que o assédio moral, em particular, é um problema grave que afeta não apenas a saúde psicológica dos colaboradores, mas também a produtividade e o clima organizacional. 

A Norma Regulamentadora 1 (NR1), que estabelece as disposições gerais sobre segurança e saúde no trabalho, traz diretrizes importantes para a prevenção e o combate a esse tipo de violência. Compreender como a NR1 aborda o assédio moral é fundamental para que as empresas possam criar ambientes de trabalho mais saudáveis e seguros, protegendo seus funcionários e evitando passivos trabalhistas.

O impacto do assédio moral na saúde mental dos trabalhadores

O assédio moral caracteriza-se por condutas abusivas, repetitivas e prolongadas que expõem o trabalhador a situações humilhantes e constrangedoras. Essas práticas podem incluir xingamentos, isolamento, sobrecarga de tarefas, críticas infundadas e ameaças de demissão. O impacto na saúde mental é devastador, podendo levar a quadros de ansiedade, depressão, síndrome de burnout e até mesmo suicídio. 

Éverton da Costa Sagiorato observa que o assédio moral cria um ambiente tóxico que mina a autoestima e a motivação do colaborador, resultando em absenteísmo, presenteísmo e alta rotatividade. Reconhecer os sinais de assédio moral é o primeiro passo para intervir e proteger a saúde mental da equipe.

A NR1 e a gestão de riscos psicossociais

A NR1, em sua atualização mais recente, introduziu o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), que exige que as empresas identifiquem, avaliem e controlem todos os riscos ocupacionais, incluindo os riscos psicossociais. Éverton Sagiorato esclarece que o assédio moral enquadra-se nessa categoria, pois representa uma ameaça direta à saúde mental e física dos trabalhadores. 

Éverton da Costa Sagiorato
Éverton da Costa Sagiorato

A norma estabelece que as organizações devem implementar medidas preventivas e corretivas para mitigar esses riscos, promovendo um ambiente de trabalho seguro e saudável. Isso inclui a criação de canais de denúncia confidenciais, a realização de treinamentos sobre assédio moral e a adoção de políticas claras de tolerância zero a comportamentos abusivos.

O que é o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR)? O PGR é um conjunto de ações e medidas preventivas exigidas pela NR1 para identificar, avaliar e controlar os riscos ocupacionais presentes no ambiente de trabalho, visando proteger a saúde e a segurança dos trabalhadores.

Estratégias para prevenir e combater o assédio moral

A prevenção do assédio moral exige um compromisso genuíno da alta gestão e a participação ativa de todos os colaboradores. A criação de um código de conduta claro e acessível, que defina o que é assédio moral e estabeleça as consequências para os infratores, é um passo fundamental. 

Além disso, é crucial promover uma cultura de respeito e empatia, em que a comunicação aberta e o feedback construtivo sejam valorizados. A realização de pesquisas de clima organizacional periódicas pode ajudar a identificar focos de tensão e insatisfação antes que se transformem em casos de assédio. Éverton da Costa Sagiorato pontua que a empresa deve também oferecer suporte psicológico e jurídico às vítimas, garantindo que elas se sintam seguras para denunciar os abusos.

O papel da liderança na promoção de um ambiente saudável

Os líderes desempenham um papel crucial na prevenção do assédio moral e na promoção da saúde mental no trabalho. Eles devem ser exemplos de conduta ética e respeitosa, inspirando suas equipes a agir da mesma forma. A capacitação dos gestores para identificar sinais de assédio, mediar conflitos e oferecer suporte aos colaboradores é essencial. 

Éverton Sagiorato conclui que a liderança deve estar atenta às dinâmicas de poder e às relações interpessoais na equipe, intervindo prontamente diante de qualquer comportamento inadequado. Ao criar um ambiente de confiança e segurança psicológica, os líderes contribuem para a construção de equipes mais resilientes, engajadas e produtivas, em que o assédio moral não encontra espaço para prosperar.

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